QUEM PUDER QUE CASE  
     
        Deus criou a mulher porque viu que o homem precisava de uma companheira, mas aí veio São Paulo e disse: "Quem puder, não case". Pois eu já dou outro conselho: aquele que puder que se case, e sendo possível nunca se separe da esposa. 
    A verdade é que, em certos casos, a separação pode ser muito mais desastrosa que o próprio casamento. Por isso, mesmo que o divórcio se ofereça como a melhor solução, todo cuidado é pouco. 
   Antônio Martins, não pensava assim. Dono de uma fortuna invejável, ele era uma  espécie de Midas. Só que ao invés de transformar todas as coisas em ouro, ele transformava tudo em dinheiro. Em muito dinheiro. Extremamente abençoado por Deus, ele nunca soube o que era má sorte ou desventura, até conhecer aquela moça.  Cristiane, era o nome dela.  
    Quando me contou que ia separar-se da esposa para viver com Cristiane, eu não acreditei. Logo ele que parecia tão bem casado e feliz. Mas não, a verdade era bem outra: Antonio Martins estava apaixonado por aquela moça, e por causa dela ia se divorciar.
     Depois do divórcio, amancebou-se de vez com aquela moça, completamente cego de paixão, a ponto de não perceber que ela só estava interessada no dinheiro dele. Uma pessoa tão ajuizada, agora parecia um bobalhão.
  

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

    Naquela época, ao separar-se de Deolinda, ele teve que dar metade dos seus bens pra ela. Mesmo assim, era ainda um homem rico, tinha pra mais de cinquenta casas alugadas e dois prédios comerciais. Mas aquela moça tinha mesmo virado a cabeça dele, e Deus achou por bem abandoná-lo à mercê de sua própria loucura. Então, a criatura começou a fazer uma besteira atrás da outra.

    De início, por influência e conselhos de Juliana, vendeu todos imóveis que ainda tinha e aplicou toda aquela dinheirama nos bancos. Dessa forma, além de ganhar dinheiro fácil com os juros altos, ele ainda se livrou de muitos problemas, já que alguns inquilinos estavam deixando de pagar os aluguéis. Mas aí veio o Collor e confiscou todo o dinheiro dele.
        Então, da noite para o dia Antônio Martins ficou na miséria.  Pra completar a loira bonitona, que dizia gostar tanto dele, abandonou o coitado e fugiu com outro. Aí foi que ele desgostou de vez da vida, e caiu numa depressão profunda. Dizia que ia se matar. E a prosa dele além de não me agradar,  ainda me deixava preocupado.
        Deus como bom pai que é, não permitiu que ele fizesse mais uma besteira na vida. Só que a pobreza fez dele um morto-vivo. Um homem tão cheio de alegria, agora naquele estado: triste e sem vontade de viver. Só de vê-lo daquele jeito, dava muita pena.  Até que um dia, quando menos esperávamos, o coitado morreu de um infarto fulminante. Morreu pobre e desconsolado, como alguém que pagou um preço muito alto por ter deixado a esposa, que tanto o amava, pra viver ao lado de uma mulher desprezível e sem coração. 
  José Oliveira
  • Facebook Classic
  • Twitter Classic
  • Google Classic