MINHAS AVENTURAS AMOROSAS


     Aos quinze anos, ainda muito puro e inocente, aventurei-me de mau jeito com algumas garotas e experimentei amargas decepções. Logo de cara conheci uma menina bonitona, apenas um pouco mais velha que eu. Então, sem pensar duas vezes, joguei um pouco do meu charme pra cima dela. A mocinha quando me viu todo assanhado, querendo namorá-la, cortou o meu barato baixinho:
      - Mas você, você é só um frangote!
      Sem perder a calma e a pose de galã, argumentei:
     - O verdadeiro amor não conhece barreiras nem limites.
     Muito admirada, ela deu-se por vencida:
       - Puxa, que maturidade a sua!
     Engano dela, pois eu não tinha maturidade alguma. E além de imaturo, era também mui muito inocente, tão inocente que logo aquele namoro acabou. Mas, fosse por imaturidade ou inocência, dei corda solta à minha falta de juízo e terminei nos braços de outra garota. Catarina, eis o nome dela.

     Dessa vez, o caso foi bem mais complicado. De família rica, Catarina tinha carro importado e morava numa luxuosa mansão. Mas, de nada lhe valia tanta riqueza, a moça era extremamente azeda e infeliz. Cheia de caprichos, ela mais parecia uma garotinha mimada.

     Fiz de tudo para não me envolver com ela. Até que numa noite de sábado, aconteceu o pior. Meio bêbado, resolvi passar na casa dela. E ficamos os dois conversando, demoradamente. No calor da prosa quis conhecê-la melhor. E assim, fiz  pra ela uma pergunta boba — se não, idiota:
    — De que tipo de homem você gosta, Catarina? — Daquele que respeita as leis de trânsito, ou daquele que avança o sinal?
    Não deu outra, ela avançou o sinal e foi logo me dando um beijo. E ali mesmo, deitados no tapete da sala, consumamos uma noite de prazer e de loucura.

    E foi assim que perdi minha inocência. Não gostei do jeito como tudo aconteceu, já Catarina gostou e muito. Gostou tanto que ficou querendo mais. Ela, que não tinha nada de inocente, agora se declarava apaixonada por mim — pura lorota! Tudo que a garota queria era somente uma coisa: sexo e nada mais que sexo.        

    Depois de um mês, veio me dizer que estava com a menstruação atrasada. Era a vida me cobrando o preço de uma grande burrada. Comecei, então, a lamentar minha falta de sorte. Não bastasse tanto azar, uma grande tristeza tomou conta de mim. Lembrava das palavras do meu pai,  advertindo severamente meu irmão mais velho:

  — Pare com essa safadeza toda, rapaz. Escute o que eu vou lhe dizer: se você engravidar alguma moça, vai ter que casar com ela.  

   De tão preocupado, perdi o gosto de viver. E se Catarina estivesse mesmo grávida? Não, aquilo não. Que Deus me livrasse de tão grande castigo, eu era muito jovem para casar. 

     Engravidar, Catarina não engravidou.  Mas, dali por diante, começou a comportar-se como se fosse minha namorada. Agora a moça não podia me ver, que já vinha de lá toda se derretendo de paixão. De minha parte, de tão aborrecido, passei a tratá-la com grande indiferença. Sentindo-se rejeitada, Catarina quis se vingar. E espalhou pra todo mundo que eu era viado, o tipo de rapaz que não gostava muito de mulheres. Então, para algumas meninas virei motivo de risos.

    Muito indignado, achei por bem esquecer aquela história. Como Catarina não me deixou outra alternativa, enviei-lhe  uma carta malcriada. Depois, fui ter uma conversa séria com ela:
      — Toma jeito, mulher!
     Se Catarina tomou jeito, não sei dizer.  O certo é que deixou de falar comigo por um bom tempo. Quando finalmente fizemos as pazes, veio queixar-se de minha ingratidão e frieza:
     - A maior covardia de um homem é despertar o amor no coração de uma mulher para depois desprezá-la.
     Onde eu tinha lido aquela frase, já não sabia — talvez nalgum romance fajuto. Ora, covardia grande foi a dela. Mentir de um jeito todo maldoso, colocando em xeque a minha masculinidade, a ponto de me expor ao ridículo — nunca vi tamanha covardia. Mas, como dizia minha vó, quem procura acha. E eu tinha achado mesmo. Não satisfeito, dei curso livre às minhas desventuras. 

     Tinha já dezesseis anos quando conheci Elisângela, uma morena cheia de charme e de sorrisos. Aí do nada começamos a namorar. E nosso namoro evoluiu tão rapidamente que se transformou em coisa bem mais séria. Tão séria que quase me custou a vida.
    Elisângela, apesar de muito religiosa, não era daquelas moças que ostentam um puritanismo exagerado. Era uma criatura simples e muito recatada. Tão recatada que não sinalizou com o menor protesto, quando ao meu lado, assistiu pela primeira vez um filme de sexo e sacanagem. Pelo contrário, ficou muito interessada no assunto — mais interessada do que devia. Depois daquele dia, perdi o meu sossego.  Por fim, perdi a paciência também. Se a garota queria, melhor mostrar pra ela como as coisas funcionavam na prática. Pensando assim, fiz sexo com ela.

   Que grande tolice, a minha!  Muito arrependida, Elisângela mergulhou numa profunda tristeza e começou a me fazer terríveis acusações. Dizia que, por minha falta de juízo, tinha caído em grande desgraça. Pois sim, agora o culpado de tudo era eu.  E para expiar tão grande culpa, a garota queria, porque queria, que eu casasse com ela. 

    Não fossem algumas circunstâncias impeditivas, o casamento não seria má ideia. A moça era bonita, educada e de boa família. Só que nós dois, além de muito jovens, não dispúnhamos de condição financeira para casar. De um lado eu, um pobre estudante que não tinha sequer onde cair morto. Do outro ela, que ganhava apenas um salário mínimo trabalhando num escritório de advocacia. Aquilo tinha tudo pra dar errado.
     Elisângela, que não compreendia a gravidade da situação, insistia naquela idiotice:
    — Pra tudo tem solução, meu pai vai dar um jeito de ajudar a gente.
    Eu só achava que o velho, mal tomasse conhecimento dos fatos, ia mesmo era dar um jeito de me mandar bater um papo com Jesus.  O homem era militar e tinha fama de ser durão.  Como eu não quisesse casar, Elisângela começou a fazer-me ameaças:
      — Vou contar para o meu pai que você maculou minha inocência.
   Aí pronto! Eu, que já não tinha mais nada de inocente, ou mesmo de imaculado, comecei a considerar-me um homem morto. Se aquela história chegasse aos ouvidos do coronel, coitado de mim.   Ainda bem que Elisângela se apaixonou por outro rapaz, que tinha bom emprego e bom salário. E namorando com ele,  deu logo um jeito de engravidar. Depois, com ele mesmo se casou. E assim, voltei a ter um pouco de paz. Só que, ao invés de tomar jeito na vida, continuei com minhas aventuras amorosas.

    Foi nessa época que, para meu desgosto e castigo, conheci Juliana. Uma moça completamente desmiolada e pervertida, de quem não guardo boas lembranças. Com ela, aprendi que não se brinca com fogo — porque daquele namoro, saí todo chamuscado.

      Juliana era uma garota bonita, extremamente simpática e sedutora. Tinha cabelos loiros, olhos verdes e um corpo escultural. Tanta beleza assim numa mulher, deixa qualquer um enfeitiçado. E foi assim que eu fiquei, ao conhecê-la. Cego de paixão, demorei a perceber que aquela moça era completamente maluca.

    No início, eu me sentia o mais agraciado dos homens. Fazer sexo com Juliana era maravilhoso. Só que minha alegria durou pouco. A partir da segunda semana, ela começou a comportar-se de uma forma muito esquisita. Antes de fazer sexo comigo a garota entrava dentro do guarda-roupa, e saía de lá com um chicote de couro na mão. Depois de arrancar minha roupa, fazia-me vestir uma batina de padre, e girando o chicote no ar dava duas chicotadas nas minhas pernas. Em seguida estirava-se na cama, completamente nua:

    - Venha aqui, reverendo! Venha aqui me deflorar.

    Meio assustado, minha vontade era de sair correndo dali. Porque já sabia, que ao invés de deflorá-la, quem ia ser deflorado era eu. Eis que Juliana, além de muito pervertida, tinha sérios transtornos sexuais. Durante o coito a moça se descontrolava totalmente, puxava meus cabelos e dava gritos escandalosos, agitando-se na cama. E no momento do orgasmo mordia meu pescoço e cravava as unhas com força nas minhas costas, fazendo-me sentir grande dor, enquanto ela delirava de prazer.  A cada vez que fazíamos sexo, eu saía da casa dela completamente atarantado.

    De tanto ser maltratado, achei melhor excluir aquela garota da minha vida. Por gostar tanto dela, suportei grande tristeza e sofrimento. Mas, finalmente consegui esquecê-la. Muitos anos se passaram e nunca mais tive notícias de Juliana. Depois de tantas desilusões, tomei juízo. Aprendi a lição, e nunca mais me aventurei de forma perigosa com as mulheres. 

     

José Oliveira. 

 

  

    

 

  • Facebook Classic
  • Twitter Classic
  • Google Classic