UM APRENDIZ DE ESCRITOR

Escrever por prazer é tudo que faço, já que não escrevo pelo ofício da arte. E se muito brinco de juntar palavras, é porque mais tropeço nelas do que sei juntá-las. Daí já se vê que não sou nenhum literato. Talvez um aprendiz de escritor, se muito. Aprendiz que sou, quase nada escrevo. Mas se outro jeito não tem, continuo escrevendo. 

     Aprendiz que sou, nada sei sobre o peso do ofício de escrever. Porque brincar de escritor é fácil, mas escrever com capricho e desvelo é outra coisa. Dá até medo, porque o ato de escrever, em si, é um muito processo doloroso, uma espécie de parto. Imagine desfraldar assim a alma, diante dos outros, a troco de nada. Revelar segredos, escancarar aos quatro cantos do mundo a história de uma paixão mal resolvida. o coração diante er escritor e viver desse ofício no duro mesmo, já é bem mais complicado; a ponto de um escritor declarar com certa tristeza: "Alguém tem que recolher o lixo". Em outras palavras ele quis dizer que para escrever é preciso ter estômago. Sendo mais explícito ainda: é preciso ter muita coragem.er estômago: estômago e CORAGEM, digo eu. Porque escrever, às vezes, é também um processo doloroso -- é uma espécie de parto. Imagine alguém escancarando aos quatro cantos do mundo o rompimento de um amor mal resolvido. Revivendo toda história, detalhe por detalhe.
      Contudo, isso são coisas de escritores. Tudo que sei é que ninguém ensina ninguém a escrever, porque só se aprende a escrever escrevendo: é preciso ler muito também. Mas ali estava aquela professorinha, rigorosa como um general. Fazendo de tudo para me ensinar a escrever.  Ah, se fosse fácil assim!
      Até hoje,  muitos dos conselhos, dados por ela, ainda martelam na minha cabeça. Por isso decidi escrever o texto abaixo, numa forma de compartilhamento gratuito. Se alguém tirar algum proveito de tais conselhos, já me dou por satisfeito.

 

JUNTANDO PALAVRAS
      Um texto, quando bem elaborado, deve ter uma estruturação lógica, e ser de fácil entendimento. Nele, os argumentos, além de coerentes, devem sucintos e objetivos, sem divagações desnecessárias ou distanciamentos do tema abordado.
         A linguagem deve ser simples, o raciocínio límpido e solto. As ideias devem fluir de forma desprentensiosa, sem aborrecer ou tomar o tempo das pessoas com coisas inúteis ou desprovidas de propósito.
        Ao redigir exprima-se com clareza, precisão e elegância. Não construa períodos longos e emaranhados, nem se estenda em argumentações elucidativas, que possam quebrar o ritmo e a harmonia do texto. Seja breve e  conciso.  Lembre-se: expressar-se bem é dizer muito escrevendo pouco. Seu texto deve ser interessante,  não enfadonho.
       Seja imaginativo e autêntico,  e acima de tudo audacioso. Adote um jeito todo seu de exprimir suas ideias. Não copie e nem dê muita importância ao estilo adotado pelos outros. Se possível escreva sem estilo algum. Porque a arte de escrever consiste na capacidade de emprestar beleza e originalidade a um texto, sem que a preocupação do estilo se sobreponha ao talento natural de quem escreve.
      Ora, ainda que toda arte se revele por meio do estilo, não podemos tolher a nossa criatividade em prol desse ou daquele estilo. Sequer devemos obedecer a regras rigidamente pré-estabelecidas, quando a imaginação nos permite abusar de uma linguagem mais solta e espontânea.  
    Contudo,  embora não seja tão difícil redigir textos,  alguns cuidados são necessários antes de nos aventurarmos a juntar palavras.  Certos erros e inconsistências,  além de prejudiciais ao conjunto harmonioso do texto,  tornam a leitura desinteressante e dificultam o entendimento da mensagem.         
    Dessa forma, em qualquer redação muitos pontos devem ser observados,  sem esquecer das regras gramaticais:
- Ao redigir não construa frases com muitos adjetivos ou com muitos advérbios. Evite a construção de muitos períodos subordinados.  Forme frases curtas, de fácil entendimento. E não fique repetindo ideias.
- Só use verbos na voz passiva quando estritamente necessário e não empregue verbos de ligação com muita frequência.
- Escreva tão somente para si,  nunca para os outros. Nesse sentido nunca tente impressionar ninguém mostrando que sabe das coisas ou que é inteligente.  Não recorra ao emprego de palavras difíceis ou rebuscadas, nem faça uso de termos técnicos na sua redação. 
- Seja virtuoso (eu quis dizer cuidadoso),  abstenha-se dos vícios de linguagem. Não construa frases de sentido ambíguo, evite sobretudo estrangeirismos e cacófatos. E nunca faça uso de gírias na sua redação.
- Dẽ extrema importância aos sinais de pontuação ao redigir.  Saiba exatamente quando e como usá-los nas frases e orações. Uma simples vírgula, quando mal empregada, pode alterar completamente o sentido de uma frase, induzindo o leitor a interpretações equivocadas. Por isso, ao utilizar os sinais de pontuação, todo cuidado é pouco.
- Por último, não se esqueça: uma mensagem, quando bem redigida,  jamais será mal compreendida. 
       

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